CULTURA DO ARROZ VERMELHO VOLTA PELO VALE DO APODI

Posted by casciano in Ciência & Tecnologia, Economia | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment

No mundo do agronegócio, a retomada da cultura do arroz vermelho começa pelo RN.

A afirmação é do pesquisador da Embrapa Meio Norte baseada nos resultados exitosos obtidos com duas novas variedades do produto, testadas experimentalmente por produtores do Assentamento Lagoa do Saco, no município de Felipe Guerra.

Detentor de condições favoráveis no Vale do Apodi, o Rio Grande do Norte está credenciado para, nos próximos anos, revitalizar o cultivo do arroz vermelho no país.

A constatação tem como base os excelentes resultados obtidos em testes com duas novas variedades de grãos, a MNA 901 e a MNA 902, desenvolvidas pela Embrapa Meio Norte e cultivadas de forma experimental no Assentamento Lagoa do Saco, zona Rural de Felipe Guerra.

Elevada qualidade e produtividade, e perda reduzida são alguns destaques do produto.

“Não vi nenhum resultado melhor do que este em todo o Nordeste. Os resultados das novas linhagens são estimulantes, e o RN está pronto para ampliar o cultivo e iniciar o processo de comercialização do arroz vermelho para todo o Brasil”, prevê o professor e pesquisador da Embrapa Meio Norte, José Almeida.

Os resultados e impressões foram apresentados durante o Seminário “Manejo Orgânico de Novas Variedades de Arroz Vermelho”, evento promovido pelo Sebrae no Rio Grande do Norte, que reuniu dezenas de produtores no Assentamento Lagoa do Saco.

De acordo com os dados repassados no seminário, as novas variedades apresentam perda média de apenas 30%, enquanto as demais variedades cultivadas (RN 801 e RN 802) originam perda superior a 40%.

Para a fase experimental, foram plantados 700 metros quadrados das variedades MNA 901 e MNA 902.

Já para a próxima safra, que ocorrerá entre os meses de junho e novembro, a área plantada será de seis a dez hectares.

“Ficamos muito satisfeitos com o resultado, e para a próxima safra vamos investir mais nas variedades. Nossa intenção é continuar ampliando a área plantada de acordo com os resultados”, assegura José Rildo, presidente da Associação dos Produtores de Arroz Vermelho do Assentamento Lagoa do Saco, formada por 16 associados.

Além da longa tradição no cultivo, o engajamento dos produtores locais e as condições locais de solo e clima convergem para o processo de revitalização da cultura do arroz vermelho no estado, atesta o pesquisador da Embrapa Meio Norte.

“O Rio Grande do Norte possui condições privilegiadíssimas, e ainda tem a vantagem de cultivar o produto em dois períodos do ano. Isso aumenta ainda mais a produtividade e garante ainda mais destaque ao estado na produção do arroz”, pontua.

No Brasil, apenas os estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba desenvolvem trabalho voltado para o cultivo do produto, sendo que, ainda segundo o pesquisador, o produto paraibano, apesar de ser cultivado em uma área maior, apresenta qualidade e produtividade inferiores frente arroz potiguar.

Diante do amplo mercado a ser explorado, o Sebrae-RN desenvolverá uma série de ações junto a parceiros e rizicultores do Assentamento Lagoa do Saco, com vistas a melhorar o processo produtivo ainda manual e artesanal, e conquistar mais espaço no território nacional.

Desde 2008, a Instituição oferece assessoria e orientação através do Projeto Arroz do Vale do Apodi.

“Continuaremos a atender os produtores com nossas capacitações e orientações. Mas também vamos voltar a atenção para buscar, junto a parceiros, como o Banco do Nordeste, apoio para viabilizar crédito para a aquisição de máquinas, que promoverá melhorias no processo produtivo do arroz vermelho na região”, informa José Ronil, gerente de Agronegócios do Sebrae-RN.

As capacitações oferecidas pelo Sebrae-RN ao longo dos três anos de capacitação renderam aos produtores de Felipe Guerra a conquista da certificação em Produção Orgânica, como Organismo de Controle Social – Venda Direta, concedido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), no ano passado.

Texto: Sandra Monteiro.

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