DALVÉLIO MADRUGA ACREDITA EM REABERTURA DO DIÁLOGO COM O GOVERNO DA PARAÍBA

Posted by casciano in Comportamento, Pessoas | Tagged , , , , , , , , , , , , , , | Leave a comment

Os problemas que afetam a rede pública de saúde na Paraíba ganharam repercussão nacional nas últimas semanas.

O tema não passou despercebido do Conselho Federal de Medicina (CFM) e dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), que, em maio, divulgaram nota na qual pedem o fim das dificuldades que envolvem diferentes áreas, como infraestrutura e recursos humanos.

Preocupado com o impacto do problema sobre a qualidade da assistência oferecida aos paraibanos, o conselheiro que representa o Estado no CFM, Dalvélio de Paiva Madruga, falou ao Portal Médico sobre sua expectativa de superação do impasse por meio da abertura de um canal de diálogo com os gestores do SUS na Paraíba.

Confira a entrevista:

Portal Médico – De que forma as dificuldades apontadas pelas entidades médicas afetam a qualidade dos serviços de saúde na Paraíba?

Dalvélio Madruga – Na mudança de governo, o Conselho Regional da Paraíba entregou farta documentação aos novos gestores com dados sobre a real situação da saúde da Paraíba. O trabalho – feito com base no resultado das ações do Departamento de Fiscalização do CRM – é parte da contribuição dos médicos para fazer um diagnóstico da rede de assistência, com a identificação dos principais problemas. Entre os pontos que elencamos estão os casos de condições precárias em nível de infraestrutura e de vínculos de trabalho frágeis ou mesmo inexistentes. Esse quadro dificulta a fixação do médico e dos outros profissionais da saúde em muitas localidades. Infelizmente, trata-se de uma situação que acontece também em outros estados, para a qual os médicos têm já uma proposta em debate no Congresso e no Ministério da Saúde. A saída seria a criação de uma carreira de estado para o médico no SUS, o que beneficiaria toda a população ao obrigar os gestores a assegurarem aos profissionais remuneração digna e condições operacionais para o exercício da medicina. Enfim, seria uma vitória para toda a sociedade.

PM – Como o senhor avalia a situação atual do médico neste contexto?

DM – Como disse, no Brasil como um todo o trabalho médico não é devidamente valorizado. E esse termo não se refere apenas aos honorários, mas também à oferta de condições para o exercício profissional.  Quem mais sofre com isso é a sociedade. Se não há condições para o exercício da Medicina fica difícil garantir a presença do médico, e mesmo de outros profissionais da saúde, na rede pública. O problema é ainda maior nos municípios menores. No caso da Paraíba, ainda não é diferente. Os casos de precarização do trabalho médico são muitos e devem ser solucionados. Esperamos que no diálogo aberto com os gestores do SUS estas questões sejam debatidas e as soluções apontadas.

PM – O Governo já acenou com alguma solução?

DM – Há poucos dias, dois conselheiros do CFM – Henrique Batista (secretário geral da entidade) e Gérson Zafalon (2º secretário) – participaram de uma audiência com o governador do Estado, Ricardo Coutinho. A visita resultou na retomada do diálogo entre a categoria médica e o Poder Executivo Estadual. Foi um passo importante. Aguardamos, agora, os desdobramentos prometidos. Um deles seria uma reunião entre representantes do Governo e do CRM da Paraíba. O outro é a instalação de uma comissão, composta por nomes das entidades médicas e do Executivo, para discutir problemas e soluções para a área da saúde. Nosso Conselho está confiante nos avanços, até porque os sinais iniciais são positivos.

PM – O CRM-PB tem esperança que o governo possa se sensibilizar com a situação, ouvir e trabalhar conjuntamente com os conselhos?

DM – É isso que queremos. É essa a nossa preocupação ao pedir audiência, ao buscar o diálogo e a apresentação de propostas. Queremos encontrar respostas que tragam tranquilidade para toda a sociedade.

PM – Como o senhor avalia o exercício da Medicina no momento atual?

DM – Os médicos são homens e mulheres comprometidos com o bem estar individual e coletivo. No entanto, são também maridos, esposas, pais, filhos, trabalhadores, cidadãos. Ou seja, como quaisquer indivíduos enfrentam dificuldades em seu dia-a-dia e têm suas próprias expectativas. Como já falamos, falta valorização do trabalho médico em todo o país. A categoria, por meio de suas entidades, tem colocado suas propostas de solução para este problema em várias esferas de debate, como o Congresso Nacional e o Ministério da Saúde. Esperamos que isso nos leve a caminhos promissores gerando mais reconhecimento e respeito ao trabalho médico. Percebemos que, nacionalmente, o quadro é de desestimulo dos colegas que, não raro, são responsabilizados por questões que fogem de sua alçada, como a superlotação dos hospitais ou a demora de atendimento nos prontos-socorros. Por outro lado, essa descrença individual tem gerado mais união da categoria, que soma forças, com o apoio de suas lideranças, almeja mudanças que tragam benefícios para todos.

 

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