MOSTRA JOHN CASSAVETES REVELA O PAI DO CINEMA INDEPENDENTE NORTE-AMERICANO

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Considerado pioneiro no cinema independente norte-americano, John Cassavetes foi ator, roteirista e diretor, deixando uma marca própria na cinematografia de seu país com três obras-primas realizadas nos anos 70: “Uma Mulher Sob Influência”, “A Morte de um Bookmaker Chinês” e “Noite de Estreia”.

O Cineclube Natal exibirá esses e outros três filmes do diretor, em mostra que começa neste dia 13, e vai até 18 de setembro, no Teatro de Cultura Popular, localizado na Rua Jundiaí, em Petrópolis.

As sessões começam sempre às 18h30, e o Cineclube cobra apenas uma taxa de manutenção de R$ 2 por filme.

Após começar uma carreira de diretor que sucedeu seus primeiros trabalhos como ator, Cassavetes recusou os moldes hollywoodianos e optou por um cinema que retrata a sociedade americana com suas insatisfações, preconceitos, soberba e angústias. Na busca da densidade do momento e valorizando a criação dos atores, o cineasta dirigiu seu primeiro longa-metragem, “Sombras” (1959), sobre a arte da improvisação, que aborda o preconceito ao falar sobre negros na busca por identificação em Manhattan.

“Sombras” é o primeiro filme a ser exibido na Mostra, no dia 13.

Seus filmes eram feitos praticamente sem recursos, com um elenco formado por amigos e servindo sua própria casa como locação. Bem no estilo glauberiano de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, Cassavetes foi de encontro ao american way of life tão vangloriado pelo cinema da época, buscando inspiração no cinema direto e em seus colegas europeus, que nessa época estavam totalmente voltados para o neo-realismo e a Nouvelle Vague.

“Cassavetes foi um marco. Ele levou para o cinema americano aquilo que víamos no cinema europeu com a Nouvelle Vague e o Neo-realismo italiano, deu liberdade aos atores e desvencilhou o cinema do rigor formal gravando em locações e contando histórias sobre o dia-a-dia”, afirmou o jornalista e doutor em Cinema Alexandre Figueirôa.

Contemporâneo de cineastas como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Woody Allen e Brian De Palma, John Cassavetes se destacou pela ousadia e pelo forte tom realista que deu a seus filmes, desbravando o desconhecido território do cinema independente sem se importar com o apreço do público.

A carreira do diretor teve fim em 1989, com sua morte por cirrose hepática, aos 59 anos.

“Se eu puder, farei filmes com não-profissionais, com pessoas que se permitem sonhar com uma recompensa diferente do dinheiro, pessoas com um desejo frenético de participar de algo criativo sem saberem exatamente o quê. Fazer filmes é prazer em estado puro”, declarou Cassavetes.

A seguir, a lista de filmes que serão exibidos na Mostra, com as respectivas sinopses, você confere abaixo:

Filmes da Mostra “John Cassavetes”:

13.09 – Sombras (1959):

Ben leva uma vida errante, sem muitos propósitos. Sua irmã Lelia está prestes a se apaixonar e sofrer. O outro irmão Hugh tenta uma carreira como músico, mas não tem tido muita sorte. O trio se envolve numa rede de amores, mentiras e preconceitos. Tudo ligado pelo jazz. O primeiro longa do diretor é considerado pela crítica um manifesto do novo cinema independente americano, utilizando técnicas do documentário, com atores e técnicos não-profissionais, e aplicando o cinema direto e a improvisação no domínio da ficção. Consegue capturar a essência da era beat e o início de uma grande mudança que se preparava para acontecer. O racismo deixava de ser tão evidente e tomava lentamente a forma de tabu.

14.09 – Faces (1968):

O casamento de Richard e Maria está em crise. Numa noite, ele deixa a mulher para ir ao encontro da jovem Jeannie, que conhecera recentemente. Maria também sai com as amigas, à procura de diversão, e conhece Chet, um rapaz que não mede esforços em agradá-las. A noite é intensa, mas chega ao fim.

15.09 – Amantes (1984):

Sarah Lawson está à beira do divórcio. Tem andado fora e dentro de instituições psiquiátricas e, subitamente, a sua filha Debbie decide ir viver com o pai, farta do seu obsessivo cerco maternal. Após uma viagem pela Europa, a fim de se recuperar das depressões, Sarah regressa na mesma e é rejeitada pela filha e pelo marido. Decide, então, ir viver com o seu irmão, Robert. Robert, um escritor divorciado, vive rodeado de belas mulheres, segundo ele, para recolher material para um livro sobre a vida noturna. Repentinamente, o seu filho Albie, de oito anos, é deixado aos seus cuidados pela ex-mulher e, do dia para a noite, Robert vê-se a braços com uma estranha e inesperada família em casa, que o obriga a mudar todos os seus hábitos, principalmente, em matéria de mulheres.

16.09 – A Morte De Um Bookmaker Chinês (1976):

Cosmo Vitelli (Ben Gazzara) é proprietário de uma boate de strip-tease em Los Angeles. Ele fez uma alta dívida no jogo de pôquer, mas não tem dinheiro para quitá-la. Em troca, a Máfia exige que ele mate um bookmaker chinês para saldar a dívida.

17.09 – Uma Mulher Sob Influência (1974):

Nick Longhetti (Peter Falk) está sobrecarregado, devido ao seu trabalho em um estaleiro. Sua esposa Mabel (Gena Rowlands) passa por uma fase difícil, vivendo em constante desequilíbrio emocional, o que a leva à depressão. Quando os filhos começam a serem afetados pelo estado de Mabel, Nick é obrigado a hospitalizá-la. Só que isto faz com que ele tenha também que assumir o controle de sua casa.

18.09 – Noite De Estréia (1977):

Numa noite chuvosa, na saída dos bastidores, Myrtle (Rowlands), atriz e estrela do teatro, vê um retrato de quem ela foi numa jovem fã à procura de um autógrafo seu. Ela encara seu primeiro papel de mulher mais velha e a possibilidade de sucesso pode significar que Myrtle está envelhecendo, perdendo a beleza que sempre teve. Uma reflexão sobre o envelhecimento e sobre ser bela, Noite de Estréia também revela-se um filme fascinante sobre o palco e o teatro visto pelo cinema pessoal de Cassavetes.

Texto: Andressa Vieira.

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