NÃO VEJO O MAL, NÃO OUÇO O MAL E NÃO FALO O MAL

Posted by casciano in Comportamento, Crônicas | Tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comments

Há um provérbio japonês, já difundido por todo o planeta, que proclama que não se deve “ver o mal”, “ouvir o mal” ou “falar o mal”.

São os ‘Três Macacos Sábios’.

Eles ilustram a porta do Estábulo Sagrado, templo do século XVII, que está no Santuário Toshogu, em Nikko, Japão.

Os macaquinhos são conhecidos pelos nomes de mizaru, que cobre os olhos com as mãos; kikazaru, que tapa os ouvidos com as mãos, e iwazaru, que fecha a boca com as mãos.

É como se eles estivessem dizendo: não ouça o mal, não fale o mal e não veja o mal.

Em japonês, a palavra saru significa macaco.

Sua fonética é semelhante a da terminação verbal zaru, ligada à negação.

A imagem desses ‘macaquitos’ teria chegado ao Japão pelas mãos de um monge budista chinês, no século XVIII, segundo o folclore local.

É uma forma de lembrar que, se os homens não olhassem, não ouvissem e não falassem o mal alheio, teríamos comunidades pacíficas com paz e harmonia.

Uma versão mais próxima dos dias atuais, veio da psicanalista Betty Milan, que afirmou, certa vez, numa entrevista publicada na imprensa escrita brasileira, que, “para viver, nem tudo nós podemos ver, escutar ou dizer”.

Daí se pode deduzir que se nós, os humanos, não olhassemos, não ouvissemos e não falassemos o mal alheio, poderíamos viver pacificamente, em verdadeira paz e harmonia, com os nossos vizinhos.

Os macaquinhos foram transformados em objetos de artesanato e hoje é possível encontrá-los enfeitando mesas e balcões, em escritórios e residências, por várias partes do mundo.

Está claro que essa filosofia se refere a vida pessoal do cidadão.

Evidente que o ensinamento não se aplica para os casos que envolvem governos ou  administração pública numa democracia, de onde o mal deve ser estirpado pelos instrumentos instituicionais criados com este objetivo.

Uma dessas instituições é a imprensa, que vendo o mal, ouvindo o mal, deve falar do mal para que ele não se perpetue na administração pública.

Aliás, a imprensa não deve apenas ouvir o mal, mas escutá-lo, com toda atenção possível e dar publicidade ao mal para que ele seja combatido.

Aqui no Brasil, até já existem outros animais com os gestos de fecharem os olhos, os ouvidos e a boca com as mãos, como o sapo, por exemplo.

Aqui também o grupo musical Baiano e os Novos Caetanos, satírico, liderado pelo humorista Chico Anísio, compôs uma música, cuja letra segue abaixo:

“Três macacos juntos

Na sabedoria

Eles me ensinaram

A filosofia

Um que nada ouve

Não ouviu, se cala

Um que nada vê

Outro nada fala

Fala, fala…

Três macacos juntos

Na filosofia

Eles me ensinaram

A sabedoria

Eu que nada ouço

Não ouvi, não falo

Eu que tudo vejo

Tudo vejo e calo

Calo, calo…

Tô, eu tô na minha, tô, tô

Tô, eu tô na minha, tô – falo?

Quero aproveitar o ensejo

Pra te dizer que mal falo, mal ouço, mal vejo

Quero aproveitar esse embalo

Pra te dizer que mal ouço, mal vejo, mal falo

Sou macaco velho seu moço

Por isso digo mal falo, mal vejo, mal ouço

Porque…

Tô, eu tô na minha, tô, tô

Tô, eu tô na minha, tô – falo?”

 

E você?

Quando vê ou escuta o mal, sai por aí falando o mal?

É por aí!…

2 Responses to NÃO VEJO O MAL, NÃO OUÇO O MAL E NÃO FALO O MAL

  1. amarildo carlos de lima says:

    Bacana e mto apropriado!

  2. selma da costa coroa says:

    A imprensa brasileira não faz jus a esse proverbio!

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